Vexatório, humilhante, lamentável. O sentimento contido dentro do coração de cada palmeirense diante dos últimos fatos envolvendo a Sociedade Esportiva Palmeiras passa, necessariamente, por essas três palavras. Um time sem comando, uma diretoria perdida. E o caos ocorrendo diante dos olhos de 20 milhões de apaixonados, incrédulos com todos os acontecimentos envolvendo um dos maiores e mais tradicionais clubes de futebol do mundo ao longo de 2011.
Kléber, funcionário do clube, ofende publicamente seu chefe direto, nosso técnico Luis Felipe Scolari. O presidente do Palmeiras, Arnaldo Tirone, se expõe publicamente ao bater boca com um conselheiro em um veículo de comunicação, ao vivo. O time, cujo elenco, na média, não tem qualidade técnica para vestir uma camisa como a do nosso clube, corre o risco de ser rebaixado para a segunda divisão, além de ser chacota permanente. Rivais divertem-se, empresários de jogadores rebaixam o time publicamente. Os diretores de marketing disputando poder publicamente (vide matéria feita pela revista Máquina do Esporte com Bruno Frizzo, um dos responsáveis pelo departamento – link abaixo).
http://www.maquinadoesporte.com.br/i/entrevistas/view/0/275/Bruno-Frizzo/index.php
O Palmeiras virou motivo de piada e não se vê nenhuma luz que possa trazer esperança ao torcedor palestrino.
De quem é a culpa?
Para responder essa pergunta, é preciso olhar além da relação técnico/time e ir à raiz da questão. Para chegar ao ponto que interessa, perguntamos: há algo em comum em todas essas situações? A resposta é clara: SIM, e esse algo se chama AMADORISMO.
O Palmeiras sofre por ser um clube de futebol que respira o futebol da década de 80, mesmo estando em 2011. Somos profissionais apenas no nome do time que hoje está na primeira divisão. Porque a Sociedade Esportiva Palmeiras é um clube arcaico, antiquado e completamente despreparado para o futebol hoje. Cada episódio levantado mostra cruamente como esse amadorismo fica latente nos diferentes aspectos que envolvem o clube e é cruel para a imagem e longevidade do nosso amado Palmeiras.
Tomemos por base as declarações públicas do atacante Kléber contra Felipão. Um funcionário se insubordina, vai à imprensa e degrada a imagem do clube. O que o Palmeiras faz? Prontamente, solta uma nota dizendo que NÃO pensa em processar o atleta ou aplicar-lhe algum tipo de punição. A falta de comando no futebol, que é o carro chefe do clube, é tamanha que ninguém mais respeita a diretoria de futebol.
Enquanto isso, o diretor de futebol, Roberto Frizzo, é incapaz de dizer quem entrou no Centro de treinamento, um lugar fechado e com acesso restrito, e colocou uma faixa pedindo a cabeça do nosso técnico. Em outro departamento, o marketing, enquanto Bruno Frizzo reclama publicamente da falta de organização e profissionalismo dos responsáveis, outro diretor, Rubens Reis, dá vexame público ao ser confrontado com diretores de marketing de outros clubes, em recente seminário promovido pela Escola de Negócios Trevisan.
E, diante desse cenário, como se comporta quem está acima de todos, o presidente do Palmeiras Arnaldo Tirone? Segundo declaração recente dele, está tudo bem. Enquanto o time que capenga desesperado se preparava para um jogo importante, contra o Vasco, nosso presidente usava seu tempo batendo boca, sem nenhuma postura, com um conselheiro em um programa de rádio. O próprio episódio citado é outro exemplo do amadorismo predominante no clube – nenhuma entidade que possui um departamento de relações públicas sério permitiria que o representante máximo de uma instituição participasse de um circo ao vivo. Mesmo reconhecendo o excelente trabalho desenvolvido pela Líbero nas questões ligadas ao futebol (e aqui, ressalte-se que a diretoria sofreu muita pressão para romper o contrato do Palmeiras com a empresa), entendemos que a área de Relações Públicas não deve se limitar apenas ao futebol e, sim, voltar-se para zelar e gerir toda a imagem da instituição.
E se a comunicação capenga, o futebol é quem mais sofre com essa visão antiquada de gestão. De diretores de futebol que boicotam o treinador a diretores de futebol que dão declarações públicas contra o elenco, o que se viu no último ano é uma falta total de critérios em relação às nomeações nesse setor. Desde o nefasto episódio do golpe armado por Salvador Hugo Palaia ao substituir o ex-presidente Luiz Gonzaga Belluzzo na presidência do clube, as pequenas mudanças positivas que haviam sido realizadas nesse departamento foram desfeitas. Exemplo: a demissão do coordenador das categorias de base, Marcos Biasotto, que teve como justificativa seu salário, considerado alto pela atual direção. Temos certeza que dirigentes de clubes como Santos e Internacional, que montam times e ganham dinheiro com a revelação de talentos de sua base, agradecem ao presidente Tirone pela decisão tomada.
São tantas e inúmeras situações que demonstram o amadorismo latente no Palmeiras que, se fossemos relacionar todas, seria praticamente impossível. Mas, fica claro que o grande problema do nosso amado Palestra Italia é de gestão. De gestões amadoras que colocam seus próprios interesses acima dos interesses da coletividade palestrina. De dirigentes que se revezam, um após o outro e não mexem uma palha para profissionalizar o clube. Não temos um departamento de marketing profissional, não temos uma área de relações públicas, ninguém manda no nosso futebol e, o pouco que se fez no sentido de mudar essa realidade nos últimos anos, a atual gestão fez questão de desconstruir e voltar ao amadorismo. A atual gestão levou aproximadamente SEIS MESES para nomear sua diretoria. Ou seja, quase um quarto do mandato ficou abandonado às traças por total inoperância do nosso presidente. O mesmo que, até o momento, não apresentou nenhum planejamento, foi eleito sem ter um programa de gestão.
Aqui, vale ressaltar, obviamente, os co-responsáveis pela atual tragédia que assola o Palmeiras. Afinal, Tirone & Frizzo não brotaram no trono da Turiaçú ao acaso. Aqueles que os elegeram são responsáveis, TAMBÉM, pelo desastre que o clube passa. E quem elegeu Tirone? Os grupos de conselheiros ligados a três ex-presidentes: MUSTAFÁ CONTURSI, AFFONSO DELLA MONICA e SALVADOR HUGO PALAIA. Com nomes tão draconianos sustentando a eleição da atual gestão, não é surpreendente que estejamos passando por essa tragédia, originada do amadorismo que está enraizado no nosso clube, que nos deixou anos sem títulos e que nos levou à série B. Infelizmente, entre um Palmeiras campeão e regalias como títulos de “diretor”, ingressos, estacionamentos, entre outros, para um número limitado de pessoas, os grupos ligados aos ex-presidentes parecem crer que o melhor para o Palmeiras é a segunda opção. Portanto, esses, assim como a atual diretoria, DEVEM SER RESPONSABILIZADOS E COBRADOS POR TODA A NAÇÃO ALVIVERDE pelas dificuldades que estamos enfrentando.
Que fique claro que isso não é uma exclusividade da atual gestão. No Palmeiras não existe e nunca existiu continuidade, não existe um plano estratégico do clube, nem ao menos planos de ação nos departamentos. Jamais se estabeleceram diretrizes traçadas conjuntamente entre as diversas forças políticas, de forma que aquilo de bom que viesse a ser executado pela gestão anterior fosse mantido e aperfeiçoado pela gestão posterior. Uma transição entre as respectivas equipes no período pós-eleitoral, então, nos parece algo inimaginável. Ao contrário, o que ocorre é que a falta de perspectiva pela continuidade no poder faz com que a administração anterior procure deixar a terra a mais arrasada possível, criando toda a sorte de dificuldades para os seus sucessores. E, continuando assim, nós nunca deixaremos de “recomeçar” do ZERO a cada nova gestão, pois o sucessor sempre será vendido como o gênio salvador da pátria e o antecessor taxado de boçal incompetente, em uma briga de vaidades que não interessa ao Palmeiras.
Os verdadeiros palmeirenses sabem que esse não é o caminho. O caminho que o Palmeiras precisa trilhar não é o da mediocridade de lutar contra o rebaixamento, mas o de estar sempre lutando e ganhando títulos. Como sempre foi na nossa história e como precisa voltar a ser. E, para que isso aconteça, precisamos deixar o amadorismo de lado e profissionalizar o Palmeiras. Precisamos de eleições diretas, do voto dos sócios torcedores. Precisamos da separação entre o clube social e o futebol, cada qual com as suas finanças em ordem. Precisamos de dirigentes que saibam gerir uma instituição tão grande da maneira que ela merece. Precisamos de competência, agilidade, visão de futuro e profissionalismo em todos os setores.
Por isso, repudiamos a forma como a Sociedade Esportiva Palmeiras tem sido tratada no último ano por seus dirigentes. Pedimos uma ação rápida e necessária daqueles que estão no comando do clube, e SÃO RESPONSÁVEIS DIRETOS PELO ATUAL CAOS QUE PASSAMOS, no sentido de profissionalizar o clube. E, convocamos todos os torcedores que assim como nós, da Chapa Academia, acreditam em um Palmeiras democrático, profissional e vencedor, a se juntar conosco na luta por um Palmeiras, de fato, campeão.
Pelo fim do amadorismo. Pelo futuro do Palmeiras. Profissionalismo já!
Conselheiros, sócios e demais membros da Chapa Academia